Semana de 4 dias: veja em quais países foi aderida, os prós, contras e como é vista no Brasil

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A semana de trabalho como a conhecemos hoje, em que se trabalha cinco dias na semana com descanso aos sábados e domingos (exceto em alguns setores como o de varejo), foi estabelecida em meados da década de 1920.

 

A ideia era a de que os trabalhadores fossem mais produtivos, ao passo que o absenteísmo poderia ser reduzido e a eficiência, otimizada. Desde então o esquema foi mantido em grande parte do mundo. 

 

Mais recentemente, porém, a partir de testes que empresas de alguns países fizeram ao implementar uma semana de trabalho de quatro dias, diminuindo de 40 para uma média de 32 a 36 horas semanais, a discussão em torno da semana de trabalho ganhou força. 

 

Em um cenário com diversas mudanças em curso, algumas das quais aceleradas pela pandemia, pareceu o momento ideal para países e empresas reverem determinadas questões ligadas à produtividade do trabalhador. 

 

Organizações de quais países testaram a semana de quatro dias?  

 

Há pouco mais de quatro anos, empresas nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Nova Zelândia, Dinamarca, Suécia, Islândia, entre outros, estão testando ou já testaram a semana reduzida de trabalho, muitas delas mantendo o mesmo salário dos funcionários.

 

A Islândia realizou o teste entre 2015 e 2019 com o equivalente a 1% da sua força de trabalho (mais de 2,5 mil trabalhadores), que tiveram sua jornada diminuída para 35 ou 36 horas semanais sem reajuste salarial. O sucesso foi retumbante, relataram especialistas. 

 

O teste mostrou que a produtividade permaneceu a mesma ou melhorou na maioria dos locais de trabalho. E os trabalhadores relataram se sentir menos estressados ou com menor risco de esgotamento, equilibrando melhor a vida profissional e pessoal.

 

A Espanha está buscando voluntários em centenas de empresas para testar em pequena escala a redução de 40 para 32 horas de trabalho semanais. O projeto é financiado pelo governo, que pretende direcionar cerca de 50 milhões de euros às empresas participantes.

 

Na Nova Zelândia, a organização 4 Day Week (Semana de 4 dias) oferece consultoria a empresas do mundo todo que queiram rever a escala de trabalho 5×2. Surgiu devido ao sucesso que Andrew Barnes obteve ao implementar a jornada reduzida em sua empresa, a Perpetual Guardian

 

É um compromisso com o trabalho flexível, escreveu Barnes em seu livro The Four Week Day, que permite aumentar a produtividade, a lucratividade, o bem-estar e um futuro mais sustentável. A Unilever da Nova Zelândia também está testando o modelo.

 

Prós

 

O grande benefício dessa mudança para o trabalhador é o foco em sua qualidade de vida e saúde mental, temas urgentes amplamente discutidos sobretudo em meio à pandemia, quando ganharam ainda mais atenção.

 

O combo possibilita equilibrar melhor a vida pessoal e profissional, reduzindo estresse e esgotamento físico. Nesse sentido, a produtividade acaba sendo consequência. 

 

Foi o que mostraram os estudos do centro de pesquisas sobre bem-estar da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que avaliaram o impacto de uma semana de quatro dias e todos apontaram resultados positivos em termos de produtividade, destacou o diretor Jan-Emmanuel De Neve.

 

Segundo ele, o British Telecom constatou que, na semana em que os trabalhadores estão mais felizes, há um aumento de 13% nas vendas, enquanto a Pursuit Marketing, na Escócia, viu aumentar a produtividade de seus funcionários em 22% após a implementação da semana reduzida. 

 

Estimular o comprometimento do trabalhador é outro ponto positivo, o que reflete na redução do absenteísmo. Do lado das empresas, atraem-se mais talentos, pois alunos e egressos podem preferir ir para empresas que trabalham na escala 4×3.

 

Contras

 

Mas nem todos os setores estão aptos a aderir ao sistema. Como é o caso de empresas que trabalham com turnos, como hospitais, restaurantes, mineradoras e o setor de serviços em geral. 

 

Na Suécia, foi feito um experimento em lares de idosos administrados pelo estado na cidade de Gotemburgo, cujos funcionários passaram a trabalhar seis horas por dia. 

 

A produtividade e a ausência de fato melhoraram. Por outro lado, tiveram de contratar mais funcionários para cobrir os turnos e fatalmente os custos aumentaram, inviabilizando financeiramente a redução das horas de trabalho à equipe.

 

O historiador econômico Robert Skidelsky publicou um relatório em setembro do ano passado no qual diz que impor uma semana de trabalho de quatro dias não é realista, tampouco desejável. 

 

O que ecoa no posicionamento do economista do mercado de trabalho do Chartered Institute for Personnel and Development (CIPD), Jonathan Boys, que argumenta que as evidências de produtividade e de melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional são escassas. 

 

Isto porque, segundo ele, o crescimento da produtividade na última década permaneceu estável, e a queda do investimento empresarial durante a pandemia não sugere o contrário.

 

Portanto, o contexto econômico atual mostra que as forças econômicas não estão trabalhando a favor da jornada de trabalho de quatro dias. 

 

Em todo caso, Boys defende que pode haver mudanças nos sistemas de trabalho em detrimento da pandemia, uma vez que evidências preliminares sugerem que o teletrabalho pode aumentar a produtividade.

 

No Brasil 

 

Por aqui, de acordo com o G1, até o momento a Zee Dog, empresa de produtos pet, foi a única a aderir à semana de quatro dias. 

 

A gerente de design Marcela Rockenbach confirmou o aumento da produtividade e da otimização e objetividade da equipe nas reuniões. 

 

Mas o impasse para adesão do mercado de trabalho à jornada reduzida está ligado à legislação trabalhista vigente há 30 anos, que define a quantidade de horas de trabalho, e à questão da gestão e da produtividade do trabalhador. 

 

Essa última, aliás, é muito ligada no Brasil às horas trabalhadas, e não necessariamente a resultados, performance, apontam especialistas. O caminho por aqui não é bem a redução da semana de trabalho, mas da carga horária semanal.

 

Segundo especialistas, o setor de serviços, varejo, logística e basicamente toda a indústria teriam dificuldade de aderir a semana de quatro dias, enquanto os setores de tecnologia e marketing têm maior possibilidade. 

 

Antes, no entanto, há uma outra prioridade para as empresas neste momento: a implementação do trabalho híbrido. 

 

Como equalizar as oportunidades do profissional que trabalha de casa e o que trabalha no escritório? Como controlar a entrada de um profissional novo na empresa com o teletrabalho? Estas são algumas das questões no radar de muitas empresas atualmente. 

 

Embora seja bastante desafiador a aderência da semana reduzida em vista da legislação trabalhista, é importante o setor de carreiras da IES acompanhar o movimento de empresas como a Zee Dog, por exemplo, a fim de mapeá-las e assim propor um diálogo entre a instituição, os alunos, egressos e os empregadores.

 

Entre em contato conosco e saiba mais sobre como o setor de carreiras pode criar um relacionamento com o mercado de trabalho a partir de estratégias de empregabilidade.

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